Vou contar algo que muitos empresários não gostam de ouvir, mas precisam saber: os cibercriminosos preferem atacar PMEs (pequenas e médias empresas). Não é azar nem coincidência. É estratégia. As grandes corporações elevaram o nível de proteção: antivírus corporativos, inteligência artificial monitorando sistemas em tempo real, equipes dedicadas à segurança. Já as PMEs, na maioria das vezes, contam com um antivírus simples, nenhum programa de conscientização e investimentos insuficientes em proteção.
Para o criminoso, a conta é simples: por que arrombar um cofre blindado quando a porta da frente está destrancada?
O problema é que esse risco não aparece no balanço, não dá sinal no caixa e só se revela quando o estrago já está feito. A pergunta que todo gestor deveria se fazer é: “Você consegue enxergar os riscos invisíveis da sua operação?” Se a resposta for não, este texto é para você e para cada colaborador da sua equipe.
Entenda que o elo mais fraco não é o sistema. É a pessoa.
Apesar de toda a tecnologia envolvida, o ser humano continua sendo o grande causador de danos às empresas vítimas de fraudes. Os criminosos sabem disso e exploram o comportamento por meio da engenharia social. Já trabalhei em casos em que o e-mail urgente, supostamente enviado pelo diretor pedindo uma transferência, a mensagem no WhatsApp, se passando por um fornecedor ou o link, que parece inofensivo, tudo fazia parte de uma estratégia para se acessar sistemas, instalar programas maliciosos ou extrair informações importantes sobre a empresa. Destaco que tudo isso é usado para a realização de fraudes, que causam prejuízos financeiros e, principalmente, danos reputacionais.
Na vida pessoal, o mecanismo é o mesmo. Um golpe envolvendo uma falsa central de banco pode drenar a poupança de uma família em minutos. Na empresa, um clique distraído pode custar o faturamento de um trimestre inteiro.
Entenda que a defesa começa com uma mudança de postura. Atenção constante, respeito às normas e regras da empresa e desconfiança saudável diante de qualquer solicitação apressada são pontos fundamentais para a proteção do negócio e de sua vida pessoal.
Atenção! Antes de agir sob pressão, pare e confirme por outro canal. Quem apressa você, geralmente quer o seu dinheiro. “Você consegue ver o que não aparece, mas existe?”
A fraude quase sempre começa exatamente aí, no aspecto que ninguém está olhando.
Boas práticas que cabem em qualquer orçamento
Proteção não exige investimento milionário. Exige disciplina. Por isso, destaco cinco atitudes simples que reduzem drasticamente a exposição da sua empresa:
– Troque suas senhas periodicamente e abandone combinações óbvias, como sequências numéricas e datas de nascimento.
– Use senhas fortes, misturando letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais. Sugiro usar uma frase composta por tal mescla de caracteres e que tenha um sentido para você, ajudando você a não esquecer, tipo: “M3uc0mput@d0r353gur0” (só uma sugestão, use outra frase).
– Mantenha backup dos arquivos importantes. Quando o ataque chegar, é a cópia que impede o sequestro dos seus dados. Lembre que um dia chegará a sua vez, se já não chegou…
– Use um antivírus confiável e original, pois um programa pirata representa uma porta aberta para o crime.
– Não instale programas piratas ou suspeitos, nem por curiosidade. Cuidado com os joguinhos.
Parece básico? É justamente o básico que a maioria ignora e é ali que nasce o prejuízo que atinge o caixa da empresa e a tranquilidade das famílias por trás dela.
Fique de olho!

